Como cada vez mais e mais mulheres tem um senso de percepção exagerado sobre a própria imagem
O Texto que segue foi traduzido por mim (LMR).
Fonte: http://www.dailymail.co.uk/femail/article-1213212/The-ego-epidemic-more-inflated-sense-fabulousness.html#ixzz0RE9iscUO
Nós mulheres estamos mais egocêntricas e narcisistas do que costumávamos ser, de acordo com intensa pesquisa realizada por dois psicólogos.
Cada vez mais muitas de nós têm grandes expectativas a respeito de nós mesmos, de nossas vidas e de todos que fazem parte dela. Achamos que o universo gira ao nosso redor, e temos um senso exagerado de nossa própria grandiosidade. Acreditamos que somos mais inteligentes, mais talentosas e mais atraentes do que realmente somos, e temos dificuldade em aceitar críticas e sentir empatia com o outro - tudo porque estamos preocupadas demais com nós mesmos.
Você fica irritada ao ler isso? Faz sentido. Mulheres narcisistas ou egoístas têm uma enorme sensação de direito, bem como arrogância.
Claro, podemos fazer piada disso. Porém o fato é que os pesquisadores dizem que há cada vez mais evidências de uma epidemia de egomania em todos os lugares.
Síndrome tradicionalmente masculina, o narcisismo geralmente começa em casa e nas escolas, onde as crianças são elogiados demais, mimadas demais e assim recebem a mensagem inevitável de que elas são "especiais".
Os professores de psicologia Jean Twenge e Keith Campbell fizeram uma análise de dados de 37.000 estudantes universitários em 2006. Em uma pesquisa, 30 por cento deles disseram acreditar que eles deveriam tirar boas notas, simplesmente por estarem presentes na aula.
E não é apenas sobre o quão inteligente eles pensam que são. No local de trabalho, nas amizades, até mesmo na maternidade, a cultura dominante parece ser a da competitividade, superioridade e vitória sobre os adversários.
Mas a área em que os sinais de egolatria são talvez mais óbvios, bem como as consequências mais percebidas claramente, é a dos relacionamentos amorosos. Em um recente artigo de revista, quatro mulheres no fim de seus 20 e 30 anos, compartilharam suas opiniões sobre o porquê delas ainda estarem solteiras.
Uma diretora de beleza de 39 anos de idade alegou ser muito independente para ter um relacionamento.
Uma agente de música de 38 anos de idade atribuiu o fato de estar solteira por ser uma "fêmea alfa" - independente, determinada, de espírito forte, alto poder aquisitivo e intimidadora. Disse possuir um apartamento lindo e maravilhosamente decorado, tinha um bom carro, frequentava uma academia cara e usava vestidos de grife. "Eu faço o que gosto, quando eu gosto", disse ela. Foi-lhe dito, e ela parece acreditar, que é muito bem sucedida e muito bem educada para a maioria dos homens.
A terceira mulher, um escritora e curadora de artes de 30 anos, diz estar se divertindo muito para arrumar um relacionamento sério.
Outra, de 29 anos de idade, disse ser muito exigente. Ela queria apenas um cara alto e bonito, mas não a ponto de deixá-la em segundo plano. Ele precisa ser bem sucedido, estável financeiramente e motivado. Ele também deve ser bom em piadas, mas não tanto de forma que pareça um comediante - e que ainda saiba se sair bem quando contar uma sem graça, de forma que apenas ela ache engraçado. Ele precisa frequentar bons restaurantes, não ter necessidades alimentares especiais e ser perspicaz sem ser espalhafatoso. Ele precisa ser inteligente mas de modo a não fazê-la se sentir estúpida. Ele precisa se arrumar bem, mas também não saber demais sobre moda... e assim a lista continuou. Ela concluiu que prefere ficar em casa vendo TV do que passar seu domingo com qualquer um que não atinja sua ideia do senhor homem perfeito.
Não há nada de errado em ter altas expectativas. Mas ficar se iludindo e ter metas totalmente irrealistas é uma situação completamente diferente, o que muitas vezes anda de mãos dadas com a egolatria aguda, coisa que Margot Medhurt sabe muito bem.
Ela é a fundadora "Yours Sincerely" uma agência de namoros e contatos profissionais situada em Edimburgo. Com experiência de quase 30 anos no setor, tem notado um aumento significativo deste fenômeno nos últimos anos.
"A maioria das mulheres que se juntava a uma agência de namoro costumava ter uma boa ideia do potencial de relacionamentos que poderia conseguir", disse ela. "Mas, nos últimos anos, tenho notado que há um número significativo de mulheres que já não sabem mais".
"Elas normalmente têm por volta de 30 anos, e há uma grande discrepância entre a forma como percebem a si mesmas e como os outros as veem. Frequentemente são diretas, porém pensam ser absolutamente fabulosas, pessoas excepcionais. Inevitavelmente rejeitam o perfil de cada homem que eu as envio. Entretanto, se são rejeitadas por algum homem, começam os problemas. Elas ficam chocadas e pensam: "Eu sou tão fabulosa, como ele ousa me recusar?"
e continua:
"Nos últimos anos, tenho notado um verdadeiro sentimento de direito neste pequeno grupo de mulheres. A ideia de que um homem pode não achá-la tão incrível - diferente da forma como ela se acha - simplesmente não entra sua cabeça. Muitas vezes ficam indignadas e irritadas comigo, exigindo saber o porquê do cara rejeitá-la. A maioria das pessoas entende que nem todos vão lhe achar atraente, da mesma forma que você vai se sentir atraído por algumas pessoas - e outras não irão lhe despertar interesse. Já essas mulheres parecem incapazes de colocar em suas cabeças o fato de que o resto do mundo pode não ter a mesma visão distorcida e inflada que elas têm de si mesmas".
Ela disse ter se tocado de tal fenômeno quando leu um artigo sobre o crescimento do narcisismo entre as mulheres, que segundo a pesquisa americana, aumentou em 67 por cento ao longo das duas últimas décadas.
Estima-se que dez por cento da população sofra de Transtorno de Personalidade Narcisista. Os sintomas incluem um senso grandioso de auto-importância; a crença de ser especial ou exclusivo e de alguma forma melhor do que outros (seja intelectualmente ou fisicamente); a necessidade de admiração excessiva; um senso de direito à fama, fortuna, sucesso e felicidade ou simplesmente a um tratamento especial; inveja dos outros, ou uma crença de que os outros têm sentimentos de inveja contra si; incapacidade de sentir empatia; incapacidade de admitir erros; comportamento ou atitude arrogante.
O que os pesquisadores também identificaram, e que se tornou motivo de preocupação, é o que tem sido descrito como narcisismo "normal" - uma mudança cultural que tem atingido até mesmo pessoas não narcisistas, que são seduzidas pela ênfase na riqueza material, aparência física e culto de adoração às celebridades. Eles acreditam que a nossa cultura estimula o comportamento narcisista em quase todos nós. Culpam a internet (onde "fama" esta a um clique de distância), reality shows (onde a facilidade da fama sem talento é mais comum), crédito fácil (que permite as pessoas comprarem muito além de sua capacidade de pagamento), o culto às celebridades, nossa sociedade altamente consumista, competitiva e individualista, e uma geração de pais indulgentes que levaram seus filhos a pensar que são especiais, incríveis e perfeitos. De acordo com Twenge, este foco excessivo na auto admiração causou uma mudança cultural, tirando as pessoas da realidade para a terra da fantasia grandiosa. Temos falsos ricos (na verdade pessoas com bens hipotecados e cheios de dívidas), falsa beleza (graças à cirurgia plástica), falsas celebridades (Reality shows e YouTube), falsos estudantes gênios (alunos com notas infladas) e falsos amigos (graças às redes sociais, uma explosão de networking).
"Eu tinha notado essa tendência, mas não estava realmente certo do que estava acontecendo ", diz Margaret Medhurt. "No entanto, quando li esse artigo e pensei sobre as expectativas irrealistas e senso de direito entre algumas das mulheres, ele realmente me esclareceu tudo".
"Um dos casos que me fez ter certeza disso envolveu uma mulher de negócios de 38 anos de idade.
Assim que vi, logo percebi que haveria problemas. Quando alguém se junta à agência, fazemos as coisas acontecerem rapidamente, mas para essa mulher não fora rápido o suficiente: queria um encontro imediatamente. O primeiro homem que recebeu seu perfil para conhecê-la declinou da oferta, e ela foi extremamente rude. Ela não podia aceitar tal negativa, e muito menos fazê-lo de forma educada. Em três semanas, três homens viram seu perfil. Expliquei-lhe que é preciso tempo para conhecer alguém, mas ela só ficou mais e mais furiosa. Ela estava exigindo saber por que fora rejeitada por eles. E eu tentava o equilíbrio certo entre ser honesta e ser discreta com ela".
"Na verdade acho que ela tinha uma percepção muito errônea de si mesma, e não podia suportar o fato de que sua grandiosidade estava sendo questionada. Era como se ela não pudesse aceitar o fato de que alguns caras não a acharam incrível - e então foi embora".
Homens, tradicionalmente considerados como os mais auto-centrados das espécies e os mestres do jogo de acasalamento, estão coçando a cabeça e fazendo a famosa pergunta de Freud: o que as mulheres querem?
David Baxter (nome fictício) é um consultor de gestão de 40 anos de idade. Já fora casado por nove anos, e decidiu juntar-se a uma agência de namoro no verão. Ele diz que não é perfeito, mas consideram-no agradável e um bom-partido, com muito para oferecer.
"Eu tive três encontros seguidos com mulheres na casa dos 30 para os 40 anos, que me deixaram estupefato", disse ele. "Nunca me deparei com egos enormes, tamanha arrogância e falta de cortesia mais básica. Era como se esses encontros fossem um comercial para elas propagandearem como eram excepcionais. Uma delas me disse várias vezes que muitos jovens na academia convidaram-na para sair; outra era muito artificial. Sentia-se que elas idolatravam demais a si mesmas, apesar de nenhuma delas ser maravilhosamente linda, ter uma personalidade incrível ou um emprego que as diferenciassem dos demais mortais. Também ficou bem claro que nenhuma delas já esteve comprometida, casada ou talvez nem mesmo numa relação duradoura. Tive a sensação de que estão vivendo num mundo de fantasia baseado na série de televisão sexy and the city. Não foi difícil concluir que nenhum homem seria bom o bastante para elas. Parece-me que elas procuram algo que não existe: o Homem Perfeito, ou talvez um homem único, incrivelmente elegante, especial e inatingível tal como o personagem Mr. Big da série citada. É isso, ou nada feito.
Apesar de suas recentes experiências, David ainda assim se acha com sorte:
"Eu ainda sou positivo e levo tudo numa boa, mas eu tenho amigos que não são tão otimistas e é evidente que os encontros com esses tipos de mulheres destrói seriamente a sua auto-confiança - o que é uma verdadeira vergonha. Há um monte de caras bons e decentes por aí que estão entrando pelo cano".
Neil Hay é um consultor financeiro e ex jogador de golfe profissional. Com 32 anos de idade, vive nos arredores de Edimburgo. Depois de superar a morte da mãe, decidiu juntar-se a uma agência de namoro há quase um ano atrás.
"Eu fiquei terrivelmente cínico, não apenas sobre a forma como as mulheres são, mas também sobre o que diabos é que elas estão procurando em um homem", disse ele. "Claro, todos nós temos normas e preferências, e não há nada de errado com isso. Mas a maioria também é realista. Sabemos que uma supermodelo está fora de nossas chances".
"Eu tinha esperança de encontrar alguém com boa aparência, boa personalidade, alguém para ir ao jantar e ao cinema com quem pudesse ter uma conversa decente. Mas tenho a sensação de que isso não é o que elas procuram. É como se elas quisessem serem surpreendidas desde o primeiro encontro, como se estivessem esperando por um Brad Pitt ou um George Clooney. Eles não estão interessados em um cara normal, decente, regular. Isso não é bom o suficiente para elas".
"Sei que há um monte de mulheres solteiras que gostam de dizer como são muito independentes, muito determinadas, confiante demais ou muito bem sucedidas para os homens. Ou então afirmam que homens se sentem intimidados por mulheres fortes, inteligentes e independentes. Mas simplesmente não é esse o caso - parece que elas ficam se convencendo disso. É uma maneira de racionalizar as coisas. É como se fosse mais fácil para elas acreditar em suas próprias fantasias do que enfrentar a realidade: a de que elas são completamente normais".




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