Uma prática muito comum nos dias de hoje
Baseado em: "Hypergamy", artigo da Wikipedia em inglês: https://en.wikipedia.org/wiki/Hypergamy
Traduzido, adaptado e ampliado por LMR
A hipergamia é um termo usado na ciência social para o ato ou prática de uma pessoa casar-se com outra de status ou casta social superior a ela mesma.O antônimo hipogamia refere-se ao inverso: casar-se com uma pessoa de classe social ou status inferior.
Ambos os termos foram cunhados na Índia no século 19, enquanto traduzia-se os livros clássicos de direito hindu, que usavam os termos sânscrito anuloma e pratiloma, respectivamente, para os dois conceitos.
Estudos sobre seleção de parceiros heterossexuais em dezenas de países ao redor do mundo mostram que homens e mulheres priorizam diferentes características quando se trata de escolher um parceiro do sexo oposto. Homens tendem a preferir mulheres jovens e atraentes, já as mulheres tendem a preferir homens destacados socialmente, como aqueles que são ricos, bem sucedidos, educados, ambiciosos e atraentes.
Psicólogos evolucionistas defendem que esta é uma diferença inata de cada sexo em matéria de seleção sexual, com homens motivados a procurar mulheres belas e férteis que darão à luz bebês saudáveis. Já as mulheres procuram homens bem situados socialmente, que seriam capazes de fornecer todos os recursos necessários para a melhor sobrevivência dela e da prole.
Já os teóricos da aprendizagem social, no entanto, dizem que as mulheres valorizam os homens com alta capacidade financeira porque as mulheres têm a sua capacidade de ganho limitada em sociedades patriarcais.
As Feministas explicam a hipergamia afirmando que a prática precisa ser entendida no contexto de um sistema patriarcal: os homens escolhem parceiras atraentes porque podem, e as mulheres escolhem parceiros com recursos materiais simplesmente porque estes tornam a vida mais confortável. Historiadoras feministas alegam que as famílias de status inferior participam da hipergamia porque sentem que é o melhor uso possível de uma filha: seu status será aumentado junto com o da mulher quando esta se casa com um homem de melhor condições.
Registros históricos mostram que a hipergamia sempre foi praticada em diversas civilizações e culturas. No entanto, houve uma mudança nos últimos séculos, ao menos nas sociedades ocidentais, onde passou a ser norma a maioria das pessoas se casar com o seu equivalente social. Geralmente, cada homem (e mulher) conseguia encontrar um par para a formação de uma família, graças a um maior controle das normas sociais, onde esperava-se - e trabalhava-se - para que todos se casassem e tivessem filhos dentro do casamento monogâmico. Até então, era dever de todos - os homens e mulheres - encontrarem um par e formar uma família. A hipergamia porém não deixou de existir, ela foi severamente restrita e controlada, e continuou sendo praticada por apenas alguns homens e mulheres que poderiam fazê-la.
A partir da revolução sexual dos anos 60 do século XX houve várias mudanças sociais. Os mecanismos de repressão e controle que impunham aos indivíduos maior controle de sua sexualidade (incluindo aí a hipergamia) foram sendo afrouxados e deixados de lado. As regras que exigiam casamento e formação de família para todos foram afrouxadas - e até abandonadas. Com isso, tanto homens como mulheres puderam voltar a praticar a hipergamia em larga escala.
A liberação da hipergamia tem como efeito geral em toda a sociedade o fato de que todas as mulheres têm a chance de acasalar (e até se casar) com um parceiro de status elevado, ao passo que os homens de status inferior não tem condições de fazer o mesmo - a não ser que melhorem radicalmente sua situação social e econômica.
No geral, a hipergamia tem o potencial de beneficiar economicamente e socialmente as mulheres de status econômico mais baixo, uma vez que, dependendo de sua atratividade física, elas têm a chance de se juntar com alguém de um status mais elevado.
Já os homens com status mais baixo são os mais desfavorecidos: a hipergamia remove as mulheres de status econômico inferior de seu potencial grupo de acasalamento, uma vez que as restrições sociais e as estruturas de incentivo econômico já excluem as mulheres de status mais elevado.
Resumindo: poucos homens tem potencial para ficar com a maior parte das mulheres. Enquanto que a maior parte da mulheres corre atrás dos melhores homens. É a famosa e já fartamente discutida regra dos 20% <=> 80%, sempre comentada em sites masculinistas e da manosfera.
Dizendo em uma linguagem simples e direta, o valor (status) de um individuo no mercado das relações está ligado a seu sexo biológico - e dos papeis sociais tradicionalmente associados a ele. Se for do sexo masculino, um homem de alto status ou valor social é aquele que possui dinheiro, fama e/ou destaque social (seja em seu círculo de amigos ou em escala maior) e poder (físico ou de outros meios). Ou um misto de todos eles. Ou seja, é aquele homem que está no topo da hierarquia dos homens em determinado grupo, local e momento. Se for do sexo feminino, o seu status é definido quase que exclusivamente pela sua juventude, beleza e atratividade física. As mulheres mais jovens, bonitas e mais atraentes podem facilmente subir na vida simplesmente pela sua aparência física. Basta usar sua atratividade para atrair o(s) homem(ns) certo(s).
A prova disso é que as mulheres que trabalham e adquirem na sociedade moderna os mesmos tratos do homem, como dinheiro, poder, fama e destaque social muitas vezes têm dificuldades em encontrar um homem para manter um relacionamento sério e ter filhos. Isso acontece porque elas mesmas praticam a hipergamia e esperam encontrar um homem que seja superior em tudo ao que ela é e tenha, o que pode ser raro; seja porque tudo o que adquiriram (fama, dinheiro, poder) as deixem "masculinizadas" e as afastem os homens que esperam uma mulher mais doce, submissa e feminina (características historicamente associadas ao sexo feminino).